CAUSAS

A nível dos espermatozóides...

São vários os factores problemáticos relacionados com a morfologia e funcionamento dos gâmetas masculinos (espermatozóides). Estes incluem a azoospermia, a oligospermia, a astenospermia e a teratospermia. Por vezes, o esperma pode conter um número muito reduzido de espermatozóides, mas se a integridade destes não permitir a mobilidade/ progressão para a frente e consequente alcance do oócito II, acaba por este segundo factor ser mais relevante para a infertilidade do que propriamente o primeiro. Por outras palavras, um homem com baixa contagem de espermatozóides pode ser muito fértil, se os gâmetas forem capazes de se mover eficazmente.
AZOOSPERMIA
Caracteriza-se pela inexistência de espermatozóides no sémen e resulta na impossibilidade em pleno de conceber. Este problema relativamente raro pode apresentar várias causas:
-Insuficiência testicular primária devido a deficiências genéticas, criptorquidismo, lesão física das gónadas ou a ocorrência de papeira (inflamação das glândulas salivares) na adolescência;

-Obstrução, em que as vias genitais são bloqueadas impedindo a passagem de gâmetas para o exterior, ocasionada pela incidência de DST como a clamídia, a gonorreia e a sífilis; ou pela ausência de epidídimos e/ ou outras estruturas do sistema tubular como os canais deferentes.

-Inexistência de células germinativas, em que os tubos seminíferos são apenas constituídos por células de Sertoli. É devida a anomalias durante o desenvolvimento fetal, uso continuado de certos medicamentos, mas as causas deste fenómeno são normalmente desconhecidas (factores idiopáticos).
Pacientes que sofrem de azoospermia possuem em regra testículos reduzidos e externamente lisos.
OLIGOSPERMIA
Baseia-se na reduzida contagem de espermatozóides no ejaculado. Pode ser provocada por: desordens hormonais, obstrução, efeitos paralelos de tratamentos medicamentosos, tabagismo e consumo de substâncias nocivas em excesso, que causam uma quebra na produção de gâmetas. Há também a salientar o facto do homem vestir roupa muito apertada ou tomar banho regular de água quente, dado que há um aquecimento acentuado dos testículos que devem ser mantidos a uma temperatura de menos 2º C em relação à temperatura corporal. Pode-se ainda considerar também a ocorrência de hipertermia (elevação da temperatura de um organismo acima do normal), que é a causa da redução frequentemente temporária na contagem de espermatozóides, e as infecções que provocam a alcalinidade do sémen e a existência de células de pus altamente destruidoras neste.
Uma evidência de oligospermia é a existência de um sémen muito líquido e incolor.
ASTENOSPERMIA

Relaciona-se com a baixa mobilidade dos espermatozóides e ocorre quando o esperma contém uma percentagem de espermatozóides não activos superior a 50%. Dada esta anomalia, estes não podem migrar em direcção ao oócito II que se encontra na trompa de Falópio, ou se eventualmente o alcançar, a sua falta de resistência não lhe proporcionará o rompimento da camada externa do oócito II para que ocorra a cariogamia (união dos pronúcleos masculino e feminino).
TERATOSPERMIA
Liga-se à presença de espermatozóides disformes no sémen e ocorre quando a percentagem de espermatozóides com configuração anormal ultrapassa os 15% da contagem total. Os gâmetas irregulares não dão origem a crianças com deficiências, mas como estes são não fecundantes, são uma causa importante de infertilidade. A teratospermia pode estar associada à frequência com que se realizam raios-X, incidência de reacções alérgicas ou a formação de anticorpos anti-espermatozóides, cujo significado será explicado mais à frente.
Anomalias Primárias (antes da espermatogénese):
-Macrocefalia- cabeça grande;
-Microcefalia- cabeça pequena;
-Cabeça em raquete;
-Cabeça piriforme;
-Cabeça dupla;
-Peça intermédia dupla.
Anomalias Secundárias (após a espermatogénese):
-Cauda enrolada;
-Cauda dobrada.
Dentro das alterações espermáticas como a teratospermia, podemos ainda citar a necrospermia, que se caracteriza por uma baixa vitalidade dos espermatozóides, ou seja, o seu tempo de vida após a produção é muito curto para que possam atingir o gâmeta feminino e fecundá-lo. Deste modo, são muitos os que morrem durante o trajecto vagina – trompa.
A nível imunológico...

As células sexuais masculinas são “estranhas” ao organismo que as segrega, dado que possuem metade dos cromossomas das restantes células corporais. Assim e para que a reacção de defesa orgânica não se desencadeie, estes têm de ser produzidos atrás de uma “barreira imunológica” situada nas cavidades testiculares. Mas se algum factor possibilitar a saída de espermatozóides da “protecção” criada e contactar com o sangue, os agentes imunológicos produzirão anticorpos com vista ao “combate” dos espermatozóides contidos no líquido espermático, já que não são distinguidos de qualquer outro ser invasor. Este fenómeno quando estimulado é praticamente irreversível, visto que o sistema imunitário foi sensibilizado pelos próprios espermatozóides.
A nível do controlo hormonal...
A doença hipotálamo-hipófise é caracterizada pela hiper e/ ou hipo-formação de hormonas hipotalâmicas (GnRH) ou hipofisárias (LH e FSH), mas é entre as causas de infertilidade uma das menos incidentes. Pode existir em duas síndromas:
-Hipogonadismo Hipergonatrópico: níveis altos de gonadotropinas no organismo não são capazes de estimular os testículos.
-Hipogonadismo Hipogonatrópico: a produção de gonadotropinas é reduzida, pelo que os testículos não possuem receptores tão sensíveis ao pequeno estímulo. A anomalia pode ser originada por doenças testiculares ou alterações no complexo hipotálamo-hipófise.
A nível cromossómico...
Caso sucedam anomalias durante a espermatogénese, em que resulte um número irregular de cromossomas sexuais, estas terão repercussões por vezes crónicas no sistema reprodutor masculino. A infertilidade masculina deliberada por factores cromossómicos é das mais graves e sem cura, sendo reconhecidas duas síndromas:
SÍNDROMA DE KLINEFELTER Ocorre quando o homem apresenta um cromossoma X extra nas suas células, induzindo a destruição do epitélio seminífero e conduzindo à azoopermia permanente. O indivíduo nestas condições desenvolve características físicas próprias do sexo feminino, incluindo o desenvolvimento do tecido mamário, além de estatura elevada e testículos pequenos. Estudos denunciam que esta síndroma afecta uma em cada 500 crianças do sexo masculino.
SÍNDROMA XYY Caracteriza-se pela existência de um cromossoma Y extra nas células constituintes do indivíduo. Os homens portadores desta síndroma são fenotipicamente normais, porém apresentam estatura elevada, sendo o crescimento é mais notável na infância e espermatogénese deficiente ou inexistente. Em média, um em cada 1000 rapazes sofre desta anomalia.
A nível anatómico...
As alterações anatómicas reconhecidas como potenciais causas de infertilidade são:
- Ejaculação Retrógrada- o esperma é bombeado para trás em direcção à bexiga, não atingindo assim o sistema reprodutor feminino. Afecta cerca de 1% da população do sexo masculino.
- Síndroma de Kartagener- incapacidade de produzir espermatozóides móveis.
- Varicocelo- síndrome anatómico de varizes escrotais devidas ao refluxo de sangue da veia renal na veia espermática (do abdómen para o escroto), por insuficiência valvular. Há uma acumulação ainda de CO2 e de substâncias nocivas às gónadas e subida da temperatura local, não compatível com a produção de espermatozóides. Pode desenvolver-se num testículo ou em ambos, mas em 85 a 95 % dos casos está envolvido o testículo esquerdo. Trata-se de uma patologia benigna, genética, atingindo cerca de 10 a 20 % da população masculina e desenvolvendo-se após a adolescência.
- Cancro testicular- caracteriza-se pelo crescimento acentuado e invasor de células cancerígenas nos testículos. Pode ter incidência devido a exposição a químicos e infecções por HIV. Anualmente, surgem entre 6000 a 8000 novos casos deste tipo de cancro.
- Criptorquidismo- entende-se pela não descida de um ou de ambos os testículos para o interior da bolsa escrotal onde se encontram normalmente alojados. Frequentemente, só um é que não desce e quando os testículos não descem até ao 3º mês de gestação, descerão poucos meses após o nascimento. Mas se eventualmente tal não se verificar, o criptorquidismo pode ser definitivo. Esta anomalia atinge uma em cada 125 crianças do sexo masculino, que chegam à idade adulta incapacitados na produção de espermatozóides viáveis, visto que a temperatura elevada do interior do abdómen não propicia a espermatogénese. No entanto, pode acontecer que haja apenas uma redução das células germinativas. Cirurgicamente este problema pode ser anatomicamente corrigido, porém a fertilidade é dificilmente restituída.

A nível da técnica de coito...

No homem podem ocorrer temporariamente ou de forma permanente, dificuldades durante uma relação sexual. Entre elas destaca-se a impotência, que se relaciona com a capacidade de conseguir uma erecção ou mantê-la até ao clímax. A disfunção eréctil pode ter duas vertentes: uma em que a causa são factores psicológicos e outras onde as causas orgânicas imperam. Este problema está presente principalmente em indivíduos já com uma certa idade. O impacto da idade evidencia-se quer na baixa qualidade do ejaculado (espermatozóides com baixa mobilidade e em quantidade mais reduzida), quer na actividade sexual reduzida, por perda do apetite sexual. Contudo, o declínio da fertilidade no homem com a idade não é tão acrescido como na mulher.
A nível do estilo de vida...
Aspectos relacionados com o local de emprego, assim como os hábitos de consumo de substâncias prejudiciais à saúde a longo prazo, são também uma das causas de infertilidade. Porém, a infertilidade assim determinada é pouco incidente, dada a dificuldade em avaliar estes factores externos.
Local de trabalho
Algumas substâncias como pesticidas, tintas de impressão e metais (chumbo, cádmio e mercúrio), identificados em locais de trabalho, afectam o epitélio seminífero humano. Estas toxinas causam alterações nos gâmetas e consequentemente têm impactos na fertilidade. Lubrificantes O uso destes produtos que facilitam uma relação sexual pode afectar a integridade dos espermatozóides ou ter carácter imobilizador.
Medicação

A utilização continuada de medicamentos pode reduzir o número de espermatozóides, além de diminuir o desejo e estímulo sexual. É o caso da medicação própria para curar úlceras no estômago e hipertensão, assim como os usados no tratamento do cancro, que destroem eficazmente as células germinativas em divisão.
Hábitos de consumo 
Substâncias prejudiciais ao organismo como o tabaco e o álcool podem ocasionar, normalmente de forma sazonal, a oligospermia. O consumo de substâncias ilícitas como o haxixe e a cocaína, podem ainda levar à astenospermia, à teratospermia, à diminuição da líbido e à baixa produção de testosterona. Também os esteróides anabólicos (hormonas derivadas da testosterona que promovem o crescimento e divisão celular, resultando o desenvolvimento de tecidos) afectam a espermatogénese, por vezes de forma irreversível.